Fórum sobre Medicalização da Educação e da Sociedade Comissão da Câmara discute a “medicalização da vida” – Fórum Sobre Medicalização da Educação e da Sociedade

Comissão da Câmara discute a “medicalização da vida”

Deputados recebem especialistas que criticam o crescente diagnóstico de transtornos mentais

Duração: 2’53”
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LOC/REPÓRTER: A Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados recebe, nesta quarta-feira, especialistas que condenam o crescente diagnóstico de transtornos mentais, com a indicação de remédios. A audiência, marcada para as duas da tarde, servirá, também, para o lançamento da campanha “Não à Medicalização da Vida”, organizada pelo Conselho Federal de Psicologia. O conselho é ligado ao Fórum Sobre a Medicalização da Educação e da Sociedade, que tenta provocar um debate sobre o tema. A professora Titular de Pediatria da Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp e integrante do Fórum Sobre a Medicalização da Educação e da Sociedade, Maria Aparecida Affonso Moysés, explica que o movimento critica as novas edições do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais, o chamado DSM. O documento enumera e qualifica doenças ligadas à mente e os respectivos sintomas e sofre forte resistência entre os especialistas, segundo Maria Aparecida Affonso Moysés, que alerta para o crescente diagnóstico de transtornos desse tipo. A primeira versão do DSM, criada em 1952, listava cento e seis tipos de transtornos. A segunda, dezessete anos depois, aumentou para cento e oitenta dois. Em 1980, a terceira edição já estava com duzentos e sessenta e cinco e, a atual, criada em 1994, possui duzentos e noventa e sete. Segundo a doutora, a quinta versão do DSM deve ser publicada com mais de quinhentos tipos de transtornos mentais, o que chama a atenção de especialistas.

 

TEC/SONORA – Professora Titular de Pediatria da Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp e integrante do Fórum Sobre a Medicalização da Educação e da Sociedade, Maria Aparecida Affonso Moysés

 

“Já tinha uma reação, um movimento contra o DSM, e isso gerou uma reação entre muitos profissionais – inclusive profissionais de saúde mental, psiquiatras mesmo – percebendo que não dá pra transformar a vida em doença mental – e tudo necessitando de medicamento.”

 

LOC/REPÓRTER: A professora Titular de Pediatria da Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp e integrante do Fórum Sobre a Medicalização da Educação e da Sociedade lembra que são grandes as expectativas sobre a audiência na Câmara dos Deputados, que deve contar com a participação do ministro da Saúde, Alexandre Padilha, e o ministro da Educação, Aloizio Mercadante. Os dois foram convidados para participar do debate e expor suas ideias, mas não tinham confirmado presença até a noite desta segunda-feira. Maria Aparecida Affonso Moysés comentou, também, que, além da discussão nessa audiência pública, a campanha também vai mobilizar a sociedade com vídeos, cartazes e folhetos contra a medicalização indiscriminada. Além da professora e dos ministros, foram convidados a ministrar uma palestra a doutora Marilene Proença, integrante do Conselho Federal de Psicologia, e a doutora Roseli Fernandes Caldas, representante da Associação Brasileira de Psicologia Escolar e Educacional.

Reportagem, Natália Borges.